
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro afirmou, nesta terça-feira (19/5), durante a 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, que traz a pauta de menos impostos, maior repasse de autonomia aos municípios e endurecimento na segurança pública. O pronunciamento foi recheado de críticas ao governo do presidente Lula.
Flávio listou propostas em debate no Congresso, como o fim da escala 6x1, e defendeu anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Além disso, prometeu reduzir o endividamento das famílias brasileiras.
Para o senador, o Novo Desenrola Brasil é insuficiente para resolver o problema de “mais de 80 milhões de brasileiros que têm as suas dívidas atreladas à taxa Selic".
“Não é fazer um Desenrola, como ele (Lula) está propondo, onde, somadas as dívidas de todos os brasileiros, chega-se à marca de R$ 700 bilhões de reais. Aí ele faz um Desenrola, oferecendo R$ 4,5 bilhões. Vai ficar todo mundo enrolado de novo o ano que vem. Não vai tirar ninguém do sufoco", disse.
Ele defendeu um “ajuste de contas” do país, buscando recuperar a segurança jurídica. “Nós vamos enxugar as contas. A despesa vai cair, vai caber dentro do orçamento. Dessa forma, nós vamos conseguir mostrar que a curva de juro futuro vai diminuir. Nós vamos ajustar as contas públicas, os juros vão começar a cair”, prometeu.
Ao se apresentar como “municipalista”, Flávio resgatou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que o lema do governo era “menos Brasília e mais Brasil”. Segundo ele, houve distribuição recorde de recursos federais aos municípios, sem distinção partidária, especialmente durante a pandemia.
O senador ainda prometeu vetar ou atuar contra medidas aprovadas pelo Congresso que criem despesas aos municípios sem indicar fonte de financiamento.
Escala 6x1
Em debate no Congresso, o fim da escala de trabalho 6x1 foi lembrado por Flávio Bolsonaro. De acordo com o pré-candidato, caso a proposta seja aprovada como o texto em discussão, o impacto aos municípios chegaria a R$ 100 bilhões por ano.
O senador argumentou que a legislação trabalhista brasileira está desatualizada e não acompanha mudanças como home office, trabalho por aplicativo e novas formas de contratação. Como alternativa, propôs um modelo baseado em pagamento por hora trabalhada, com manutenção dos direitos constitucionais, como 13º salário, férias, FGTS e contribuição ao INSS.
“Todos nós queremos trabalhar menos e ganhar mais. Mas o trabalhador é quem tem que escolher quanto tempo trabalha, e não o governo”, disse. Segundo ele, a proposta permitiria jornadas mais flexíveis, incluindo formatos como 4x3 ou meio período, especialmente para mulheres que enfrentam dificuldades para conciliar emprego e cuidados com os filhos.
Segurança pública
Na área da segurança, o senador prometeu endurecimento contra facções criminosas e afirmou que, em um possível governo, criaria um Ministério da Segurança Pública com orçamento robusto para apoiar municípios.
Em tom de enfrentamento, direcionou um recado ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho. “Anotem aí, marginais de CV e de PCC: metam o pé do Brasil até dezembro deste ano, porque a partir do ano que vem vai todo mundo ser preso ou neutralizado”, declarou.
Flávio defendeu ainda o fortalecimento das guardas municipais, com investimentos em inteligência artificial, monitoramento urbano, integração de bancos de dados e treinamento com apoio da Polícia Federal. Citou também a possibilidade de capacitação para uso de arma de fogo por agentes municipais.
Ao citar a violência em estados do Nordeste, especialmente a Bahia, o senador afirmou que a região precisa de maior atenção e disse que “Nordeste não é problema, Nordeste é solução”.
Anistia
Sem citar diretamente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio afirmou que, em um eventual governo, buscaria uma relação de “harmonia e independência entre os Poderes”, com instituições subordinadas à Constituição.
Apesar da promessa, voltou a defender anistia aos investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, classificando-os como “perseguidos políticos”. “O nosso governo vai buscar com todas as forças a ampla, geral e irrestrita anistia para os perseguidos políticos do 8 de janeiro. É assim que a gente vai alcançar a pacificação.”
O senador também disse que o país vive uma “era do ódio” e prometeu um governo “sem perseguições”, voltado para a estabilidade institucional e segurança jurídica.

Política
Política
Política
Política
Política
Política