
Por André Gustavo Stumpf, jornalista
A campanha eleitoral esconde os problemas brasileiros. Os candidatos habitam outra realidade. Os debates são vazios, cheios de ideias genéricas e afirmações coléricas sobre questões aleatórias. Um deles mencionou até a possibilidade de o país construir a bomba atômica. Retórica pura. Longe da realidade. Houve candidato que chegou perto. Ronaldo Caiado afirmou que a bandidagem transformou a Amazônia em santuário porque ali os traficantes agem livremente. A região se transformou na Disneylândia dos criminosos.
Esse é o resultado do abandono da Amazônia durante séculos. Em tempos recentes, os ambientalistas começaram a gritar em favor da preservação da floresta. Apareceu a política de criar reservas florestais enormes. A dos ianomamis, no norte de Roraima, por exemplo, possui área maior do que o território de Portugal. Os indígenas ali localizados somam no máximo três mil pessoas. Não há força armada, no Brasil, capaz de defender de maneira eficiente, aquele território na região de fronteira com a Venezuela.
Os jornais publicam reportagens sobre ação da Polícia Federal na repressão a garimpos clandestinos. Enxugar gelo. Segundo estimativas oficiais, operam na Amazônia cerca de 20 mil garimpeiros. É muita gente. E muito dinheiro envolvido, o que favorece a corrupção. O Brasil é refém da chantagem dos países desenvolvidos, que acusam os brasileiros de não preservar a floresta. Os europeus não preservaram nada. Os norte-americanos mataram os índios, avançaram sobre as planícies do meio-oeste e cultivaram suas imensas plantations. Eles dizem farms here, forests there. Fazendas aqui e florestas lá. Ou seja, eles fazem agricultura, mas os brasileiros devem se limitar a preservar a Amazônia para que os gringos venham fotografar macaco e jacaré.
Falta uma política corajosa para enfrentar os problemas da Amazônia e revertê-los em favor dos brasileiros. Agora, surge petróleo no Amapá. Os ambientalistas gritam em favor da preservação da floresta. Não gritaram quando o petróleo apareceu nas costas de São Paulo, Rio de Janeiro e do Espírito Santo. As cidades do litoral fluminense desfrutaram de notável desenvolvimento. Uma delas criou até moeda própria. O petróleo do pré-sal salvou a economia dos estados do centro-sul e retirou o Brasil de situação econômica difícil. O país importava a maior parte do petróleo que consumia. Era um impedimento ao crescimento da economia nacional. Até Fernando Gabeira, em artigo recente, admitiu a prospecção de petróleo no Norte brasileiro.
Em 1982, a importação de petróleo pelo Brasil alcançou US$ 8 bilhões, ou 44% do total das exportações nacionais, com o preço médio do barril em torno de US$ 34. Agora está perto de US$ 100. Até aquela data, o país estava estrangulado pela chamada conta petróleo, que crescia sem parar. Hoje, o Brasil produz mais de quatro milhões de barris e exporta um milhão deles. A descoberta do pré-sal reinventou o Brasil. Abriu novas possibilidades e permitiu que os brasileiros começassem a pensar em se tornar um país desenvolvido. Os políticos, no entanto, ainda estão nos anos setenta. O mundo mudou. A China inventou o capitalismo de estado, copiado pelo Vietnã. Cuba vai pelo mesmo caminho. A Albânia, que foi comunista radical, tornou-se membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e candidato a integrar a União Europeia.
Donald Trump é evento passageiro. Ele encontrou seu Vietnã na guerra contra o Irã, que não sabe como terminar. O mundo assiste a decadência de um colosso. O Brasil descobriu a necessidade de buscar novos mercados. Acordou do sono que o embalava em berço esplêndido. A descoberta de petróleo no Norte do país significará, dentro de alguns anos, a geração de recursos necessários para integrar a região ao resto do país. Deverá haver dinheiro para fazer a correta defesa da floresta, colocar garimpeiros na moldura certa e combater traficantes de todas as espécies. E integrar o Norte do país.
A pequena Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, tinha aeroporto modesto. Foi reformado pela Petrobras para receber os aviões que trazem operários qualificados. E atender a voos regulares. Os helicópteros também já estão operando ali. Apareceram forasteiros, comerciantes, padres, advogados, meninas disponíveis e gente em busca de emprego. A estrada que liga a cidade a Macapá deve receber asfalto em curto prazo. Estava em estado bruto desde que o Barão do Rio Branco fixou a fronteira na negociação com os franceses, no início do século 20. Há outra possibilidade que vai provocar ainda mais os ambientalistas: é a possibilidade de petróleo em terra firme na região do Rio Tacutu, em Roraima. Do outro lado da fronteira, na Guiana, na bacia do mesmo rio, jorrou o óleo negro no poço denominado Karanambo I.

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