Crônica

Ela cruzou oceanos por amor, ele atravessou a relação sem saber permanecer

Ela fez do amor destino, ele fez da ausência um fim silencioso.

Sombra -  (crédito: Foto ilustrativa)
Sombra - (crédito: Foto ilustrativa)

Ela conheceu o brilho antes mesmo de conhecer o amor. Aprendeu cedo a transformar dor em audiência, silêncio em contrato milionário, maternidade em força. Era dessas mulheres que entram em um lugar e mudam a temperatura do ambiente. Linda, loira, famosa, dona de si. O Brasil inteiro sabia seu nome, acompanhava seus passos, copiava seus movimentos, comentava seus romances. Mas ninguém sabia o quanto ela ainda acreditava no amor.

Ele era um fenômeno mundial ainda muito jovem. Dentro de campo, um gigante. Fora dele, um rapaz constantemente cercado por mulheres, rumores e pela fama de mulherengo. Também carregava nas costas o peso cruel do preconceito racial, das cobranças absurdas e da pressão de viver sob vigilância permanente. Era admirado no mundo inteiro, mas parecia emocionalmente despreparado para viver algo profundo.

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Quando se encontraram, parecia improvável.

Ela, intensa, decidida, apaixonada pela ideia de construir. Ele, acostumado à liberdade de quem nunca precisou permanecer muito tempo em lugar nenhum.

Mas foi justamente aí que nasceu a paixão.

Ela atravessava oceanos em seu jato particular para vê-lo por poucas horas. Cancelava compromissos, reorganizava agendas, deixava os filhos dormindo para acordar em outro continente apenas para sentir o abraço dele. Bancava viagens, estadias, saudade e silêncio. Fazia tudo sorrindo, porque mulher apaixonada transforma sacrifício em prova de amor.

E ela sorria de verdade.

Durante boa parte daqueles sete meses, parecia feliz. Tentava viver o romance longe do julgamento, ignorando as diferenças entre os dois e apostando que o sentimento seria suficiente para mantê-los juntos.

Mas amor não se sustenta apenas na insistência de uma pessoa.

Enquanto ela fazia do relacionamento prioridade, ele parecia sempre distante da ideia de construir a mesma história. Não havia histórico de traições antes dela. Existia apenas a fama de mulherengo, de alguém que nunca precisou levar relações tão a sério. Só que, durante aqueles sete meses, vieram as traições.

Uma.

Depois outra.

Depois mais uma.

E foi aí que tudo mudou.

O brilho começou a diminuir no final da relação. O rosto cansado, os olhos mais silenciosos, o sorriso já sem a mesma força. Não era apenas raiva. Era decepção. A dor de perceber que, enquanto ela cruzava continentes tentando fazer dar certo, ele não fazia esforço suficiente nem para permanecer fiel.

Sete meses.

Pouco tempo para o mundo. Tempo suficiente para destruir certezas.

E no fim, depois de todas as viagens, renúncias, esperas e humilhações silenciosas, veio dele a frase mais fria, mais comum e mais cruel que alguém pode receber depois de amar demais:

“Fique bem.”

Como se fosse simples juntar os pedaços depois de descobrir que amar alguém não impede ninguém de machucar você.

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TS
postado em 20/05/2026 04:17
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