CB.PODER

"Centrad deve ser ocupado urgentemente", afirma ex-governador Agnelo Queiroz

Pré-candidato a deputado federal e ex-governador do DF Agnelo Queiroz classificou como medida inoperante usar o Centrad como uma garantia para salvar o BRB

 31/03/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - CB.Poder entrevista o ex-governador Agnelo Queiroz.ç -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
31/03/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - CB.Poder entrevista o ex-governador Agnelo Queiroz.ç - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT-DF), pré-candidato a deputado federal, afirma que colocar o Centrad em um fundo de capitalização para ajudar o Banco de Brasília (BRB) é uma medida inoperante. Para ele, o certo é ocupar o espaço urgentemente. A manifestação foi feita nesta terça-feira (31/3) às jornalistas Ana Maria Campos e Mila Ferreira no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Veja trechos da entrevista:

No fim da sua gestão, o Centrad estava pronto para ser ocupado. Hoje, pode entrar no fundo de capitalização do BRB. Como o senhor vê essa inclusão?

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É uma medida completamente inoperante. Primeiro, porque nem pode fazer isso, uma vez que o Centrad não tem um real de dinheiro público. Era uma parceria público-privada (PPP) feita pelas empresas que fizeram um modelo muito positivo. O que tem que ser feito é ocupar o Centrad. Isso precisa ser feito urgentemente. É a única capital do Brasil que não tem um centro administrativo. Está localizado onde habitam dois terços da população e a construção promoveu um desenvolvimento enorme da região. É um desespero de cobrir um rombo absurdo, que eu considero o maior assalto a banco do país. É uma tentativa de quebrar um banco público saudável e importante para a nossa cidade. É um absurdo colocar o Centrad, mas também áreas de proteção ambiental. Mas é claro que não vai resolver.

Que balanço o senhor faz da saúde pública do Distrito Federal?

Considero uma tragédia humana. Vivemos um caos na saúde pública do DF e ele começou quando passou o Hospital de Base para uma organização social, que foi um verdadeiro tiro no coração do Sistema Único de Saúde (SUS). Fui médico da rede e passei 36 anos na saúde daqui. Tenho vivência e experiência não só de gestor, mas de ser profissional da área. Hoje, está completamente distorcido. Dão mais atenção ao Iges, com mais investimentos em recursos do que com a secretaria. É um grau de desrespeito, desvalorização e destruição do sistema público.

Como o senhor avalia a medida da governadora Celina Leão de cancelar a festa de Aniversário de Brasília, para reinvestir o valor de R$ 25 milhões na saúde?

Todo esforço de colocar o recurso onde há prioridade é saudável. Não resolve, pois é necessário investir recursos no orçamento para contratar pessoas. Têm muitos concursados que eles não chamam e contratam precariamente ampliando o Iges e não Secretaria de Saúde e isso é muito grave. Aconselharia ela também a cancelar o patrocínio do BRB ao Flamengo. É um absurdo um banco que está passando uma grande dificuldade, pelas fraudes praticadas por este governo, continuar passando recurso para um time que nem de Brasília é. Poderia investir pelo menos no esporte e clubes daqui.

Recentemente, o Hospital da Criança passou por problemas com falta de recursos. Foi um hospital inaugurado na sua gestão. Como o senhor avalia essa questão?

O Hospital da Criança é o meu maior orgulho, seguramente. Sempre tive esse sonho de que a criança não deveria ser tratada em um hospital geral. Foi um compromisso que fiz e, em 11 meses, foi entregue. Completou 15 anos agora e já realizou mais de oito milhões de procedimentos. É uma das melhores unidades de saúde do Brasil, com reconhecimento internacional. Esse hospital jamais pode ser menosprezado, porque atende praticamente toda demanda de pediatria especializada do DF.

O senhor teve uma atuação muito forte na fiscalização dos gastos públicos. Falta isso no Congresso?

Falta, porque o Congresso tanto tem que fiscalizar como também propor leis que possam ajudar nossa população. Eu atuava também na área de orçamento. Coordenei a bancada de orçamento quando o governador era de oposição — Joaquim Roriz. À época, não existiam essa emendas loucas de hoje. Mas começou a ter emenda, por exemplo, de bancada. Nos outros lugares ela era fatiada e em Brasília a gente coordenou, fizemos emenda global, para a cidade. Essas emendas construíram o metrô de Brasília. Muita fente não sabe disso, a importância estratégica da bancada trazendo recursos. E isso me ajudou muito quando eu era governador porque consegui trazer para Brasília, em quatro anos, R$ 17 bilhões, quando o orçamento de investimento, dos quatro anos somados, seria de R$ 6 bilhões.

Quais são os principais gargalos que o senhor pode resolver no Congresso relacionados à saúde na primeira infãncia?

A primeira tarefa, não tenho dúvida nenhuma, é a ampliação de creches aqui em Brasília e no Brasil. Essa medida é estratégica e fundamental para o desenvolvimento humano no país. É no período da primeira infância que a criança recebe uma gama de habilidades que servem para a vida. Ter a creche, em uma sociedade tão desigual como a nossa, permite que a mãe possa trabalhar e ter sua autonomia e independência. É um instrumento importante no enfrentamento à violência contra a mulher.

Assista à entrevista

 


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DC
postado em 01/04/2026 05:00
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