Economia Local

Pequenas empreendedoras investem em um jeito doce de gerar renda

Com a proximidade da Semana Santa, elas aumentam a produção de ovos de chocolate com foco nos consumidores que, na hora de comprar, dão preferência aos produtos artesanais

Fernanda Gonçalves, acha gratificante produzir chocolates para quem tem restrição alimentar -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Fernanda Gonçalves, acha gratificante produzir chocolates para quem tem restrição alimentar - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Com a proximidade da Páscoa surgem muitos pequenos negócios iniciados por necessidade de geração ou complementação de renda. Nesse contexto, pequenos e micro empreendedores se destacam na produção de ovos de chocolates artesanais que conquistaram o paladar de pessoas que consideram, além do sabor, a qualidade dos ingredientes e as oportunidades de trabalho e de renda geradas na confecção dos doces.

Carlos Cardoso, gerente de Negócios em Redes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), afirma que os pequenos comerciantes podem movimentar milhões de reais e que esse ramo representa de 20% a 40% do faturamento mensal deles, segundo estudos locais. "Mesmo sem número oficial por Região Administrativa, o Sebrae reconhece essa iniciativa como importante motor da economia local, especialmente em periferias, com impacto direto na renda familiar", afirma.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

A confeiteira Fernanda Gonçalves, de 36 anos, conta que a Ferthifree Doces, empreendimento do qual é dona, começou após uma crise financeira durante a pandemia. Ela lembra que comprou os materiais necessários para produzir brigadeiros para vender, o que ajudou a levantar um dinheiro e recuperar a condição econômica. 

"Começou com R$ 50, que viraram R$ 400 e que, no segundo dia de vendas, deu para ganhar dinheiro suficiente para o aluguel", relata a doceira. "Assim, começou minha jornada na confeitaria e tive interesse em aprender mais e, hoje, produzo ovos artesanais, que é muito gratificante, conta."

A confeiteira produz ovos de chocolates artesanais para pessoas que não podem usufruir por serem alérgicos, diabéticos, intolerantes à lactose ou com outras restrições alimentares. De acordo com ela, a doceria é um empreendimento inclusivo e que, a cada dia, tem mais demanda no mercado. "Eu acredito que, por trás de cada ovo de chocolate vendido, tem oportunidades sendo geradas, famílias cada vez mais esperançosas e um sabor afetivo que só mãos humanas conseguem produzir e que podem superar os produtos industriais", afirma Fernanda. 

Nesta época do ano, Fernanda costumar lucar R$ 5 mil com a venda dos ovos artesanais. Ela revela que tem um sonho de obter uma loja para que as pessoas visitem o negócio, além de levar os ensinamentos para quem pretende empreender. "Quero dar cursos e levantar outras, principalmente vítimas de violência doméstica, em vulnerabilidade e na ressocialização feminina carcerária", planeja a confeiteira.

  •  Ingrid Ferreira:
    Ingrid Ferreira: "A sazionalidade é o que torna o produto chamativo" Arquivo Pessoal
  • Fernanda Gonçalves, acha gratificante produzir chocolates para quem tem restrição alimentar
    Fernanda Gonçalves, acha gratificante produzir chocolates para quem tem restrição alimentar Minervino Júnior/CB/D.A.Press
  •  30/03/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Ovos caseiros na pásco impulsionao microempreendedorismono DF. Confeiteira Fernanda Gonçalves.
    30/03/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Ovos caseiros na pásco impulsionao microempreendedorismono DF. Confeiteira Fernanda Gonçalves. Minervino Júnior/CB/D.A.Press

Ingrid Ferreira, 26 anos, dona da Sunshine Cookies, também produz ovos de chocolate. A empreendedora fundou a microempresa em 2022, mas em 2023 começou a fazer os produtos de Páscoa e hoje fatura até R$ 1,2 mil no período. "A data é uma das épocas em que o faturamento fica mais alto. Algumas pessoas já comentaram sobre fazer os ovos o ano inteiro, mas acredito que é a sazonalidade que torna o produto chamativo."

A empreendedora trabalha na residência, em Samambaia Norte, realiza entregas, além de produzir outros tipos de doces. Segundo a confeiteira, os produtos artesanais superam os industriais. "A validade do ovo de chocolate industrializado é grande porque está cheio de conservantes, por isso sou a favor de alimentos de verdade e com o preço justo", declara.

Vendas

Pesquisa da Fundação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) aponta que 76,5% dos consumidores declararam intenção de presentear na Páscoa, índice maior que os 72,2% registrados em 2025. O estudo indica que os MEIs são os principais fornecedores de clientes, onde 32% são de lojas físicas e 7,2% pertencem ao e-commerce.

De acordo com a esteticista Kárita Salles, de 45 anos, o ovo artesanal ganha "força" no mercado porque transforma o doce em algo mais afetivo por ter ingredientes frescos, com mais recheios. Ela também afirma que existe um "prazer" em conhecer o produtor do chocolate. "Você apoia um sonho, cria uma conexão com quem produz e realiza uma compra com propósito", declara a consumidora.

A servidora pública Stefânia Zandomênico, de 48 anos, também apoia o microempreendedor local.  "Eu acho que o valor pago em um ovo de Páscoa artesanal vale muito mais a pena que um ovo de marca famosa e penso que escolher o trabalho de um microempreendedor valoriza a economia local e favorece a sustentabilidade, além de haver um tratamento humano e, muitas vezes, personalizado", revela a cliente. 

Ela relata que não costumava comprar ovos de chocolate artesanais mas, ao encontrar um empreendimento que vendia o produto sem glúten, começou a consumir mais doces caseiros. "No supermercado, eu encontro poucas opções e poucas variações de sabor e tamanho", opina.

Empreendedorismo

Com aumento de microempreendedores, o Sebrae orienta os vendedores a lidarem com a inflação dos materiais de produção para que o preço final não afugente o consumidor. Para isso, Carlos Cardoso aconselha que os produtores realizem uma “engenharia de custos”, com foco na redução de desperdícios, e estratégias de mix de produtos, que incentivem o realizador a criar mais opções alternativas.

Durante épocas de alta sazonalidade, empreendedores costumar falhar por falta de planejamento e gestão financeira, segundo Carlos. Misturar dinheiro pessoal com faturamento do negócio, não considerar custos indiretos (energia, tempo, embalagem) e definir menor preço ao olhar para o concorrente, são alguns dos problemas apontados pelo gerente do Sebrae.

O uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e automação no atendimento, como catálogos digitais ou ferramentas mais avançadas, teve um crescimento entre os empreendedores. “O movimento tem gerado impactos diretos nos resultados, como aumento das taxas de conversão, redução no tempo de resposta ao cliente e maior percepção de profissionalismo por parte do consumidor”, esclarece o gerente. “Na prática, isso permite que pequenos produtores se posicionem de forma mais competitiva no mercado, inclusive disputando espaço com negócios de maior parte.”

Mas além de produzir apenas na Páscoa, Carlos instrui o empreendedor a enxergar a data sazonal como “uma porta de entrada para um relacionamento contínuo”, que inclui planejar os próximos momentos de consumo que estimulem novas compras de forma natural. “A estratégia é aproveitar a oportunidade para fidelizar quem comprou nesse período, aproveitando essa base de clientes para apresentar novos produtos e manter o contato ativo ao longo do ano”, orienta o gerente.

*Estagiário sob a supervisão de Márcia Machado

 


  • Google Discover Icon
postado em 01/04/2026 07:00
x